Muito medo ou muita coragem? Deixar pra trás as pessoas, os momentos, as expectativas e sonhos. Abandonar a vida. Mas o que motivou o suicídio de Neide Martins?
Mãe de duas filhas, de vinte e dezesseis anos. Casada com um empresário bem sucedido, Neide era médica e tinha reconhecimento em sua cidade, no interior de São Paulo. O ar frio, seco e mórbido do lugar onde vivia combinava perfeitamente com o que a mulher sentia nos últimos anos.
Já não tinha tempo livre para qualquer tipo de lazer. No trabalho, acostumou-se a lidar de perto com a morte. Chegava em casa e perguntava, apenas pela força do hábito, como fora o dia das filhas. As meninas diziam que "tudo bem" e a conversa acabava por ali. Neide vinha se sentindo desmotivada com a rotina massante à qual se submetia.
O fim do casamento de anos foi apenas o estopim para que o castelo de cartas desmoronasse. Naquele momento, Neide tinha urgências. Precisava por um ponto final numa história de linhas tortas que ela mesma escrevera. Não havia mais tempo a perder. O caos interior era tenaz e Neide já não suportava viver em si. Não aguentava a sua realidade rasa e entristecedora.
À meia noite de um dia qualquer, acendeu um cigarro. Tragava-o e pensava na sua vida, nos motivos que a trouxeram até ali. Lembrou dos pais, que não via há anos. Pensou no futuro incerto das filhas, em como estaria o ex-marido naquele momento. Foi até a geladeira, pegou uma lata de cerveja. Abriu e tomou a saideira (dessa vez, literalmente).
No ápice do medo ou da coragem, não se sabe ao certo; cortou os pulsos. Foi encontrada ao crepúsculo do dia seguinte.
Neide estava morta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário