O que me assombra, nesses tempos modernos, é que enquanto os inteligentes andam cheios de interrogações, os ignorantes se afogam num mar de certezas. Há muita sabedoria na dúvida (criança sabe disso!)... Ah, como eu queria viver num mundo questionador! Nenhuma imposição teria valor. Preconceitos, estereótipos, todos os tipos de estigma seriam quebrados. Barreiras que criamos, para uma suposta segurança, se romperiam, nos mostrando que a estrada vai MUITO além do que se vê.
As máquinas que criamos nos atropelam. Vivemos tão enclausurados em nossas casas e carros, que esquecemos de olhar para o lado. Vemos as coisas, mas raramente as enxergamos. Essa sede de vencer nem sempre nos leva a bons lugares. Antes da vitória, deveríamos visar o aprendizado. Mas o mundo do espelho de Narciso é um desafio ao Homo Sapiens...
A nossa autodefesa não passa de medo! E o pior: medo da vida. Esses vidros fechados, essa "crença" na mídia, a falta de esperança, a ausência de ação... Tudo isso não passa de medo de viver. De ter os cabelos bagunçados pelo vento e fugir um pouco do padrão "liso perfeito". De tentar mudar esse sistema capitalista, imperialista, homicida e horrendo, em que o "ter" é mais valorizado que o "ser". A nossa vaidade nos mata. Ah, essa vã cobiça! Nossa mania de achar que sempre sabemos tudo. A supervalorização do efêmero. Precisamos aprender a amar e, antes disso, precisamos aprender que amar é mais do que encontrar alguém que caiba nos nossos sonhos... O amor aceita. O amor compreende. O amor passa por cima da dor.
Não somos o nosso trabalho, nem as roupas que vestimos e muito menos aquela casa de três andares que compramos. Não somos o que aprendemos na escola, nem o que os nossos pais queriam que fossemos. As coisas que realmente temos, são as que acabam nos possuindo. Os amigos, os sorrisos, a alegria de estar ao lado de alguém especial. Somos feitos de beijos, abraços, lágrimas... Antes de sermos de carne e osso, somos sentimento. Porque os bens materiais se perdem com o tempo, como a sola do sapato velho que não nos cabe mais. Tudo muda, o tempo todo. E ser livre é diferente de não se apegar. Ser livre é voar para longe, mas saber que na volta, haverá pessoas de braços abertos para nos receber.
Sejamos, portanto, crianças. Parafraseando Gonzaguinha, tenhamos, então, "fé na vida, fé no homem, fé no que virá. Nós podemos tudo, nós podemos mais. Vamos lá fazer o que será!".
Nenhum comentário:
Postar um comentário