sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O frio e o tempo

Hoje a noite tá fria. Lá fora e aqui dentro...
Te deixo livre, meu bem. E que o tempo se encarregue de desatar esse nó(s).

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Brinquedo

Você age como uma criança que quer muito um brinquedo. Enche o saco, tenta consegui-lo a qualquer custo, e quando o tem em suas mãos, brinca um pouco... Até enjoar e jogá-lo fora. Mas pessoas não são de plástico, baby. Pessoas têm carne, osso e, antes de tudo, sentimento. Não dá pra se divertir um pouco e simplesmente "cansar", sabe? Porque dói... Você não poderia ter dito e feito tudo aquilo, se não tinha certeza do que sentia. Deveria pensar um pouco mais no outro. Tá na hora de virar homem! Magoar alguém assim, da forma que você fez, é tão cruel... Um dia, você vai se arrepender. Ou não. Sei lá... Tanto faz, na verdade. Mas se quiser voltar atrás, desculpa, vai ser a minha vez de dizer "não". Espero que você realmente tenha pensado muito antes de tomar essa decisão.
Beijos de alguém que te ama muito - e pra sempre.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Me explica, mãe

E em meio a tanta cobrança, à pseudo-maturidade, percebo que sou uma criança de quatro anos. E uma criança de quatro anos, mesmo querendo muito, não pode abraçar o mundo. Uma criança de quatro anos deve aprender a amarrar os cadarços, primeiro. Mas eu quero andar descalça! Mãe, posso andar descalça? Mas mamãe, eu não tenho medo de resfriado! Só tenho medo do monstro que vem me assustar à noite. O monstro mora dentro de mim, mãe.
O monstro me disse que amar faz mal. Quando a gente tem quatro anos, não tem medo do amor... Mas eu sempre me doo demais, mamãe. De tanto me doar, dói. Não quero acreditar no monstro. O monstro é adulto... Eu tenho medo de adultos, mamãe. Mas não de você. Você me protege, né, mãe? Promete que vai me proteger do monstro? Não deixa ele me machucar... Não gosto de chorar. Mas eu quero amar! Dá pra amar sem chorar, mãe? Vai, me explica... Me explica, mãe, o mundo, o monstro, o medo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

- O que fizeram com Alice?

"Paixão é montanha russa. Amor é roda gigante."

(Pedro Pondé)

Só pensando em você....

Se eu dissesse pra você
que por sua culpa,
a música nasce brilhante,
...as cores fazem sentido
e o sol é mais vibrante

Se você me perguntasse
o "por quê?"
Lhe mostraria minha alma ferver
Enquanto encontro seus olhos
ou quando penso em você

Mas se mesmo assim,
você não acreditasse em mim
Iria no fundo do meu coração
buscar algumas gotas de paixão
e entregaria em sua mão

E se você falasse:
"isso é tudo um clichê!"
Calmamente pensaria:
"O que eu posso fazer?"
e sorrindo te diria:
"simplesmente amo você"

De: Dante Alexandria
Para:Catarina Santoos
Que Shiva me ajude, porque sozinha, eu não sei se consigo...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Dueto - Chico Buarque

Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis
Consta nos Ovnis, no Pravda, na Vodca

sábado, 11 de agosto de 2012

O Estopim

Muito medo ou muita coragem? Deixar pra trás as pessoas, os momentos, as expectativas e sonhos. Abandonar a vida. Mas o que motivou o suicídio de Neide Martins?
Mãe de duas filhas, de vinte e dezesseis anos. Casada com um empresário bem sucedido, Neide era médica e tinha reconhecimento em sua cidade, no interior de São Paulo. O ar frio, seco e mórbido do lugar onde vivia combinava perfeitamente com o que a mulher sentia nos últimos anos.
Já não tinha tempo livre para qualquer tipo de lazer. No trabalho, acostumou-se a lidar de perto com a morte. Chegava em casa e perguntava, apenas pela força do hábito, como fora o dia das filhas. As meninas diziam que "tudo bem" e a conversa acabava por ali. Neide vinha se sentindo desmotivada com a rotina massante à qual se submetia.
O fim do casamento de anos foi apenas o estopim para que o castelo de cartas desmoronasse. Naquele momento, Neide tinha urgências. Precisava por um ponto final numa história de linhas tortas que ela mesma escrevera. Não havia mais tempo a perder. O caos interior era tenaz e Neide já não suportava viver em si. Não aguentava a sua realidade rasa e entristecedora.
À meia noite de um dia qualquer, acendeu um cigarro. Tragava-o e pensava na sua vida, nos motivos que a trouxeram até ali. Lembrou dos pais, que não via há anos. Pensou no futuro incerto das filhas, em como estaria o ex-marido naquele momento. Foi até a geladeira, pegou uma lata de cerveja. Abriu e tomou a saideira (dessa vez, literalmente).
No ápice do medo ou da coragem, não se sabe ao certo; cortou os pulsos. Foi encontrada ao crepúsculo do dia seguinte.
Neide estava morta.
"Que seja doce!", a menina rogou às estrelas. E será.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

E fica decretado que terá azar o gato preto que cruzar com um homem ignorante.


De um povo heroico

Cláudio trabalhava fora desde os onze anos. Perdera o pai ainda novo, e não teve escolha: tornou-se o homem da casa. O menino estudioso e dedicado ajudou a criar os seus seis irmãos. Aos dezessete, acordava às quatro, preparava o café da manhã da casa (um pão duro, com manteiga. E água. E só.) e pegava o ônibus das cinco. Ia à escola e, de lá, para a oficina mecânica de Seu Zé, onde ficava até tarde.
Seguindo, sem se desviar, pelo caminho no meio das pedras, o rapaz tinha um objetivo na vida: Formar-se em medicina e dar uma vida digna à família, que sobrevivia ao dia-a-dia com muita dificuldade. E ele se perguntava: "De quais filhos deste solo a pátria amada é mãe gentil?". A igualdade conquistada em braços fortes é válida para quem? Cláudio conhecia um lado terrível da realidade brasileira, para qual muitas pessoas fechavam os olhos. Ele convivia com um povo heroico que carece de tudo. Saneamento básico, educação e saúde de qualidade, transporte público eficaz, segurança.
O que o revoltava era ver que enquanto alguns desfrutavam da paz, em suas casas luxuosas, ao som do mar e à luz do céu profundo; outros tantos viviam com medo de que cada suspiro fosse o último. Mas um raio vívido de amor e de esperança descia ao peito do jovem toda vez que maus pensamentos pairavam no ar, e ele reacendia a chama que o mantinha erguido: a fé inabalável de que o futuro reservaria boas surpresas.
No dia do seu aniversário de dezoito anos, Felipe, vizinho e melhor amigo de Cláudio, foi assassinado. Felipe era envolvido com drogas, assim como muitos outros moradores daquela favela carioca; e acabou pagando uma dívida com a própria vida.
Numa tentativa desesperada de fazer justiça, Cláudio denunciou os assassinos e todo o sistema corrupto que lhes envolvia. Nenhum foi preso, nada aconteceu. Mas Cláudio (este sim!), passou semanas sendo ameaçado.
No dia 31/11/2010, três homens desceram de um carro. Três tiros. Dois na cabeça, um no peito. Todos os sonhos, todos os bons sentimentos, todas as boas ações... Tudo acabado.
Cláudio morreu.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Bola de Meia, Bola de Gude - Milton Nascimento

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade, alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão

A mente apavora.

O que me assombra, nesses tempos modernos, é que enquanto os inteligentes andam cheios de interrogações, os ignorantes se afogam num mar de certezas. Há muita sabedoria na dúvida (criança sabe disso!)... Ah, como eu queria viver num mundo questionador! Nenhuma imposição teria valor. Preconceitos, estereótipos, todos os tipos de estigma seriam quebrados. Barreiras que criamos, para uma suposta segurança, se romperiam, nos mostrando que a estrada vai MUITO além do que se vê.
As máquinas que criamos nos atropelam. Vivemos tão enclausurados em nossas casas e carros, que esquecemos de olhar para o lado. Vemos as coisas, mas raramente as enxergamos. Essa sede de vencer nem sempre nos leva a bons lugares. Antes da vitória, deveríamos visar o aprendizado. Mas o mundo do espelho de Narciso é um desafio ao Homo Sapiens...
A nossa autodefesa não passa de medo! E o pior: medo da vida. Esses vidros fechados, essa "crença" na mídia, a falta de esperança, a ausência de ação... Tudo isso não passa de medo de viver. De ter os cabelos bagunçados pelo vento e fugir um pouco do padrão "liso perfeito". De tentar mudar esse sistema capitalista, imperialista, homicida e horrendo, em que o "ter" é mais valorizado que o "ser". A nossa vaidade nos mata. Ah, essa vã cobiça! Nossa mania de achar que sempre sabemos tudo. A supervalorização do efêmero. Precisamos aprender a amar e, antes disso, precisamos aprender que amar é mais do que encontrar alguém que caiba nos nossos sonhos... O amor aceita. O amor compreende. O amor passa por cima da dor.
Não somos o nosso trabalho, nem as roupas que vestimos e muito menos aquela casa de três andares que compramos. Não somos o que aprendemos na escola, nem o que os nossos pais queriam que fossemos. As coisas que realmente temos, são as que acabam nos possuindo. Os amigos, os sorrisos, a alegria de estar ao lado de alguém especial. Somos feitos de beijos, abraços, lágrimas... Antes de sermos de carne e osso, somos sentimento. Porque os bens materiais se perdem com o tempo, como a sola do sapato velho que não nos cabe mais. Tudo muda, o tempo todo. E ser livre é diferente de não se apegar. Ser livre é voar para longe, mas saber que na volta, haverá pessoas de braços abertos para nos receber.
Sejamos, portanto, crianças. Parafraseando Gonzaguinha, tenhamos, então, "fé na vida, fé no homem, fé no que virá. Nós podemos tudo, nós podemos mais. Vamos lá fazer o que será!".

Apesar de tudo (ou por causa de tudo)

Você ainda irá se afogar no seu mar de arrogância. Essa chuva de orgulho não fará brotarem as suas certezas rasas. Estas, continuarão soterradas. Sempre. Acorda, querida. Você tem tantas coisas boas para aprender com a vida! É só se permitir. Abre, abre as portas do seu coração. E não esquece de abrir a mente, não. Cuide melhor das pessoas que gostam de você, tenha um pouco mais de cautela no que pensa e diz. Agindo assim, você será mais feliz. Não encare isso como um puxão de orelha, mas como apenas um conselho de uma pessoa decepcionada com as suas atitudes. E lembre-se, "decepção retira a afeição".
A você, amiga (porque amizade, na minha opinião, é sempre para sempre), ainda assim, agradeço. Muito obrigada. Aprendi muito com você, conheci pessoas maravilhosas através de ti. Espero voltar, um dia, a sentir o que eu sentia.
Um beijo de alguém que gosta muito de você, apesar de tudo (ou por causa de tudo, talvez).

domingo, 5 de agosto de 2012

Devagar com o andor, que o santo é de barro! Deixa estar, que o que for pra ser, vigora... Vai dar tudo certo.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Blues da Piedade - Cazuza

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça

Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Fernando Pessoa

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar... Não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar. Sem pedir licença, muda a nossa vida e depois convida a rir ou chorar... Nessa estrada, não nos cabe conhecer ou ver o que virá. O fim dela, ninguém sabe bem ao certo onde vai dar. Vamos todos, numa linda passarela de uma aquarela, que um dia, enfim, descolorirá...

E pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz...



(Francisco Buarque de Holanda ♥)