domingo, 28 de dezembro de 2014

Metade

"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
A outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida
A outra metade é saudade

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Pois metade de mim é o que ouço
A outra metade é o que calo

Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade um vulcão

Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
Que me lembro ter dado na infância
Pois metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade não sei

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Pois metade de mim é abrigo
A outra metade é cansaço

Que a arte me aponte uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar
Pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Pois metade de mim é plateia
A outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor
E a outra metade também"

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O Último Romântico

"Faltava abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre
O meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela
O meu caminho só, único

Talvez eu seja o último romântico
Dos litorais desse Oceano Atlântico
Só falta reunir
A zona norte à zona sul
Iluminar a vida
Já que a morte cai do azul

Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande
Pra poder chorar

Me dá um beijo, então
Aperta a minha mão
Tolice é viver a vida assim
Sem aventura

Deixa ser
Pelo coração
Se é loucura então
Melhor não ter razão"

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

"Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura"

Martha Medeiros

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer

Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar

Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?

Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

"(...) me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração
"

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Amálgama

Em passos trôpegos
Já quase sem fôlego
Insisto em ir
Aonde eu possa finalmente
Sorrir

Resignifico o sentimento
Sei que chegou o momento
De dar uma chance a mim
Livrar-me dos grilhões
Que me atam à dor

Reconhecer e voltar a crer
No dom do amor
Esquecer a ferida
Que, por muito tempo, tanto incomodou

Resta hoje a cicatriz
A vontade de ser feliz
E a fé inabalável
Das belas surpresas
Que o futuro reserva

A sinestesia
Amálgama medo e alegria
Por saber que no instante certeiro
Veio o mensageiro do júbilo
Que me fez regozijar
E ansiar pelo que virá

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sonho Impossível - Chico Buarque

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

sábado, 25 de outubro de 2014

"Mentira, omissão, são coisas de gente pequena e sem caráter. Nossa função é perdoá-los."
P.B.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

"Morena, alta, dos cabelos encaracolados e de sorriso estampado... Leve, serena, alma doce, ela é poema! Amor, alegria e fé... Tá com quem ama pro que der e vier! Companheira, dedicada e protetora parece uma mulher, mas nunca esconde a menina que é. Vou te falar que teu nome é bonito, mas perde pro teu riso... Quantas cores Lorena tem? As do arco-íris? As preferidas? As prováveis? Tuas cores vão além das imagináveis."

domingo, 14 de setembro de 2014

Quem quer ficar, fica. Não há destino ou conspiração cósmica que obrigue alguém a estar ao nosso lado. Deixo que fique livre, para transitar por entre as vielas do meu ser. Clarice disse, certa vez: "perder-se também é caminho". Quem sabe, não nos encontraremos um no outro?

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O tempo foi remédio

Gosto do jeito que ele sorri, como quem diz "ô, doidinha, te adoro!". Gosto de arrumar o cabelo dele, que cresce rápido demais e fica todo bagunçado. Aliás, ele é todo bagunçado. Confuso, bi/tri/multipolar. E eu gosto disso também. Do jeito que ele dá bom dia, quando acorda feliz. Do carinho nas entrelinhas de cada "boa noite". Gosto de quando saímos pra tomar açaí, bater papo, esquecer o resto do mundo. Gosto da certeza de ter alguém ali, por mim, sempre. Alguém com quem posso ser eu. Gosto de torcer por alguém tanto quanto torço por mim (algo raro, neste mundo tão egoísta). "É amor", me disse a Rainha. Não tenho dúvidas de que sim, é amor. Amor puro, sincero e palpável.
Gosto de tê-lo, de sentir que ele é um pouco eu - e virce-versa. A convivência prega dessas peças... Gosto de saber que tenho, ao meu lado, o melhor amigo que eu poderia. E que sou a melhor amiga que ele poderia ter também. Gosto de sentir que estamos a cada dia melhores, individualmente e de forma conjunta. Que agora, nos esforçamos para estarmos em paz um com o outro - e esse esforço já significa tanto!
Tudo se ajeitou, o tempo foi remédio. E, se continuarmos cuidando desse amor, as coisas só vão melhorar.
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Há um momento em que é preciso mudar. Abandonar as velhas roupas, os velhos hábitos, aquele sapato que não cabe mais - e quanto mais se insiste em calçá-lo, mais ele machuca. A rotina passa a ser massante, nada de novo, apenas ações mecânicas e ordinárias. O cansaço permeia o dia-a-dia e tudo já enjoou, esgotou, já deu o que tinha que dar.
É o momento da evolução. De usar tudo o que foi aprendido até então, para dar um passo em direção ao futuro - incerto, mas sem dúvidas, cheio de boas surpresas. Chegou a hora de novas descobertas.
O que é verdadeiro, permanecerá. O que não é, naturalmente, irá embora. Este novo ciclo, tal qual os outros, já vividos, correrá como as águas do mar: Ora cheia, ora vazante, a maré nunca para e sempre se renova. Mas apesar dos momentos de fúria, a paz que o mundo tira, o mar traz. E assim será: Uma nova trajetória de tranquilidade, equilíbrio e muitas realizações.
Que venha o novo!
"Não importa o que você tenha, quanto tenha.
Se não souber tratar bem as pessoas.
É uma pessoa pobre.
Digna de pena.
Miserável."
(Pedro Pondé)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Química - Renato Russo

Estou trancado em casa e não posso sair
Papai já disse, tenho que passar
Nem música eu não posso mais ouvir
E assim não posso nem me concentrar

Não saco nada de física
Literatura ou gramática
Só gosto de educação sexual
E eu odeio química!

Não posso nem tentar me divertir
O tempo inteiro eu tenho que estudar
Fico só pensando se vou conseguir
Passar na porra do vestibular

Não saco nada de física
Literatura ou gramática
Só gosto de educação sexual
E eu odeio química, química, química!

Chegou a nova leva de aprendizes
Chegou a vez do nosso ritual
E se você quiser entrar na tribo
Aqui no nosso Belsen tropical

Ter carro do ano, TV a cores, pagar imposto, ter pistolão
Ter filho na escola, férias na Europa, conta bancária, comprar feijão
Ser responsável, cristão convicto, cidadão modelo, burguês padrão

Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular
Você tem que passar no vestibular

Não saco nada de física
Literatura ou gramática
Só gosto de educação sexual
E eu odeio química, química, química!

Não saco nada de física
Literatura ou gramática
Só gosto de educação sexual
E eu odeio química, química, química!
O nosso jogo perigoso combina;
Nós somos fogo e gasolina!
O universo ilumina cada passo dessa dança e, pouco a pouco, tudo se ajeita. Cada sorriso mostra que a melodia está harmoniosa, outra vez. E se o olhar tem brilho e o sorriso está sempre ali, é porque se está fazendo o que tem que ser feito.

sábado, 8 de março de 2014

Lugar de Mulher

Pelo 8 de março, por cada sutiã queimado. Visando o fim dos clitóris arrancados, das intimidades violadas, vidas ceifadas. No desejo de que cessem os preconceitos sofridos, estupros coletivos. Pela resistência, pela garra, pelas que são símbolo de luta.
Um feliz dia! E lugar de mulher é onde ela quiser!
Não faz sentido, simplesmente é. É Dadá. A criança é Dadá, faz Dadá. Dadá não se entende. Dadá se sente. Mas Dadá, num caso muito particular, não é guerra, nem destruição. Dadá é amor, pirraça, valentia e resignação. Dadá é saudade! O meu Dadá.

quinta-feira, 6 de março de 2014

"(...)
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes
Prezo insetos mais que aviões
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis
Tenho em mim esse atraso de nascença
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos
Tenho abundância de ser feliz por isso
Meu quintal é maior do que o mundo
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática
Só uso a palavra para compor os meus silêncios"

Manoel de Barros
"Ouve o barulho do rio, meu filho
Deixa esse som te embalar
As folhas que caem no rio, meu filho
Terminam nas águas do mar

Quando amanhã por acaso faltar
Uma alegria no seu coração
Lembra do som dessas águas de lá
Faz desse rio a sua oração

Lembra, meu filho, passou, passará
Essa certeza, a ciência nos dá
Que vai chover quando o sol se cansar
Para que flores não faltem
Para que flores não faltem jamais!"
Por mais que a gente não diga, e ainda que continue doendo a ferida; sabemos que, no final, somos só nós dois.
"Só ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos altos, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente. Só ele viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente. Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso."

(Tati Bernardi)

Você não quis

Toleraria todos os momentos difíceis, desde que em sua companhia. Assim, atenuaríamos os nossos problemas (hoje, impossíveis de serem tratados como individuais). Ouviria todos os desabafos, oriundos dos seus doces lábios e tentaria, como sempre, trazer a cura pra esse seu mau humor carente.
Mas você não quis. Não foi homem o suficiente. Me deixou ir, quando o meu olhar gritava, do meu âmago, que tudo o que eu queria era ficar.