sábado, 28 de abril de 2012
No meio das pedras, tinha um caminho.
E aos 18 anos, Luiz tinha nas costas o peso da escolha de um futuro. Do seu futuro. O garoto, oriundo de uma família pobre de São Paulo, nunca teve grandes oportunidades na vida. E apesar de ter sido vítima do ensino público brasileiro, extremamente entristecedor, sempre priorizou o saber. Estudou, estudou, estudou muito. Se esforçou sempre, não para ser o melhor da turma, mas para ser o melhor que podia. Luiz se superava a cada momento. Somava vitórias em seu currículo: vencia o cansaço, o desânimo, a inércia nas horas de ônibus para chegar à escola. E ia, ia, ia... E foi.
Passou em primeiro lugar na UFRJ, no curso de jornalismo. Descobriu, finalmente, que no meio das pedras, tinha um caminho.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
“− Deixe ver seus olhos, Capitu.
Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim (…) eu nada achei de extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isso atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que…
Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu (…) o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. (…) Traziam não sei que fluido misterioso e energético, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me a outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saia delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios (…). Mas não estou aqui para emendar poetas.”
— Dom Casmurro − Machado de Assis
sábado, 21 de abril de 2012
"Nunca diga te amo se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo."
(Mário Quintana)
terça-feira, 17 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
SóTão
Tão só, no sótão da casa com cheiro de mofo da vovó. Um aroma que agradava à senhora, porque a remetia toda a sua infância, passada naquele lugar. Sophia pensava. Lembrava de tudo o que vivera ali... Lembrava de tudo o que vivera. E sonhava. Tinha os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Passado, presente, futuro. Tudo ali. O que foi? O que é? O que será? A vovó morrera há muitos anos e ela sentia o seu fim próximo. Fim? Talvez... Suspirava e esperava com tranquilidade, fruto de suas experiências, o encerramento de seu ciclo aqui. Se sentia leve. Como uma pena flutuando em meio à floresta. Se sentia bem ali, tão só, no sótão com cheiro de mofo, de morfo, de vida.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
PESSOAS QUE SOMEM NÃO SÃO CONFIÁVEIS
"A verdade é que enquanto você estiver assim, nessa interminável agonia, esperando notícias que nunca chegam, vai deixar passar várias possibilidades interessantes ao seu redor. Claro, ninguém se compara a quem você aguarda, mas quem você aguarda não está disponível no momento. Poderá, inclusive, nunca estar, apesar de tudo o que foi dito naquele dia. Pessoas que somem não são confiáveis."
- Fernanda Young
- Fernanda Young
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