quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Eu só rezo
Meu desejo? Que chegue logo o dia em que o homem seja amigo do homem. Sem distinções, sem segregação. São as singularidades e peculiaridades do Brasil que o tornam um país tão singular. Por que, então, o desrespeito, a intolerância, o preconceito? Só rezo para que venha logo o momento em que o mundo se faça de paz, só paz, nada mais. Que a justiça seja eficaz, que o poder haja em benefício de todos e não de uma minoria. Só aí, então, vou me orgulhar de verdade de fazer parte de uma Salvador que estará, enfim, salva; da Bahia de todos os santos, encantos e axé; desse país cheio de estrelas, verde, amarelo, azul, branco, mestiço; deste planeta multicultural, bonito. E esse dia há de chegar!
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Em terra de menino de rua, o último a dormir apaga a lua.
Sozinho desde que se entendia por gente, Gabriel era só mais um moleque do Brasil. Negro. Criança. Sem pai, sem mãe, sem irmãos, sem motivos pra sorrir. Mas o menino tinha um diferencial: Nessa vida, onde cada dia a mais é uma vitória imensa, Gabriel, o menino com nome de anjo, era puro, inocente. Ele acreditava na bondade humana. Era amigo de todos, era amado por todos. O Risadinha, como era conhecido nas ruas, distribuía afeto por onde passava. Apesar de todas as adversidades, ele era feliz. Não tinha inimigos, não tinha desavenças; brincava com a meninada, cuidava dos mais novos, era o xodó dos mais velhos. Não se drogou, não se prostituiu. Trabalhava vendendo balas nas sinaleiras, aprendeu a conviver com os vidros de carros sendo fechados na sua cara, todos os dias, sem excessão.
Mas Gabriel cresceu. Um dia, três adolescentes (brancos, ricos, estudantes de escolas caras), por mera diversão, espancaram-no. A polícia foi chamada, e o trio-terror alegou que Risadinha havia tentado assaltá-los. O rapaz, que havia acabado de atingir a maioridade, foi preso. Na cadeia, mais uma vez, apanhou, pelas mãos de policiais. Numa tentativa desesperada de fugir da imundice da cela escura, Gabriel aproveitou o tal "banho de sol" para pular o muro que o separava da sua casa: o mundo livre. Foi perseguido. A pureza, a inocência, e a crença na humanidade ainda estavam vivas dentro de Risadinha, mas a essa altura, ele já compreendia que nem todo mundo é bom.
Gabriel recebeu dois tiros na cabeça e um no peito. Alguém chamou a ambulância e Risadinha esperou três horas na fila, para receber atendimento. Ninguém teve notícias dele, nunca mais. Às cinco da manhã, o sol nasceu, e o anjo Gabriel voltou pro céu.
É que em terra de menino de rua, o último a dormir apaga a lua.
Mas Gabriel cresceu. Um dia, três adolescentes (brancos, ricos, estudantes de escolas caras), por mera diversão, espancaram-no. A polícia foi chamada, e o trio-terror alegou que Risadinha havia tentado assaltá-los. O rapaz, que havia acabado de atingir a maioridade, foi preso. Na cadeia, mais uma vez, apanhou, pelas mãos de policiais. Numa tentativa desesperada de fugir da imundice da cela escura, Gabriel aproveitou o tal "banho de sol" para pular o muro que o separava da sua casa: o mundo livre. Foi perseguido. A pureza, a inocência, e a crença na humanidade ainda estavam vivas dentro de Risadinha, mas a essa altura, ele já compreendia que nem todo mundo é bom.
Gabriel recebeu dois tiros na cabeça e um no peito. Alguém chamou a ambulância e Risadinha esperou três horas na fila, para receber atendimento. Ninguém teve notícias dele, nunca mais. Às cinco da manhã, o sol nasceu, e o anjo Gabriel voltou pro céu.
É que em terra de menino de rua, o último a dormir apaga a lua.
Já é carnaval, cidade, acorda pra ver!
"Mas é Carnaval!
Não me diga mais quem é você!
Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar,
Deixa o barco correr.
Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou,
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!"
Noite dos Mascarados - Chico Buarque
Não me diga mais quem é você!
Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar,
Deixa o barco correr.
Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou,
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!"
Noite dos Mascarados - Chico Buarque
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
"Dona moça, me faz um favor? Não supervalorize os maldosos que te atravessarem o caminho. Não dê importância demais a quem perde horas do seu dia tentando borrar seu sorriso. Pise forte na maldade. Sem tropeçar, sem fraquejar. Junte todas as pessoas que te querem bem, te mandam boas vibrações e te enchem de paz, e esmague as más vibrações com o peso delas. Não aceite críticas de quem não conhece suas lutas diárias.
Não tolere julgamentos de quem não consegue ficar em paz diante do seu brilho. E brilhe cada vez mais forte, até cegar a energia ruim dessa gente que tenta ser feliz por vingança, enquanto você planta paz e esperança e colhe alegrias por merecimento. Envie luz pra quem te calunia e deseja mal. Deseje fé em si mesmo, pra quem não consegue acreditar na felicidade que tanto diz estar vivendo. Espalhe suas levezas e doçuras, desate os nós que o passado deixou e flutue. Se algumas pessoas te desejarem o mal, deseje a elas amor. E felicidade o suficiente pra que vivam as suas vidas e esqueçam de uma vez por todas da sua. Esquece essa gente pequena, dona moça. Não é todo mundo que guarda no peito um baú feito o seu, cheio de inspiração, flores, cores e delicadezas. Tem gente que transforma o que passou, em mágoa. Feliz é você, dona moça, que pega o que restou do passado e transforma em poesia."
Não tolere julgamentos de quem não consegue ficar em paz diante do seu brilho. E brilhe cada vez mais forte, até cegar a energia ruim dessa gente que tenta ser feliz por vingança, enquanto você planta paz e esperança e colhe alegrias por merecimento. Envie luz pra quem te calunia e deseja mal. Deseje fé em si mesmo, pra quem não consegue acreditar na felicidade que tanto diz estar vivendo. Espalhe suas levezas e doçuras, desate os nós que o passado deixou e flutue. Se algumas pessoas te desejarem o mal, deseje a elas amor. E felicidade o suficiente pra que vivam as suas vidas e esqueçam de uma vez por todas da sua. Esquece essa gente pequena, dona moça. Não é todo mundo que guarda no peito um baú feito o seu, cheio de inspiração, flores, cores e delicadezas. Tem gente que transforma o que passou, em mágoa. Feliz é você, dona moça, que pega o que restou do passado e transforma em poesia."
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
"Saudade não é o que a gente sente quando a pessoa vai embora. Seria muito simples acenar um 'tchau' e contentar-se com as memórias, com o passado. Saudade não é ausência. É a presença, é tentar viver no presente. (...) Saudades são todas as coisas que estão lá para nos dizer que não, a pessoa não foi embora. Muito pelo contrário: ela ficou, e de lá não sai."
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Síndrome de Peter Pan
"Um dia a gente já brincou na lama, teve medo de monstro, acreditou no Papai Noel, no Coelhinho da Páscoa, na Fada do Dente. Fez perguntas indiscretas para os adultos, bagunçou o quarto, se divertiu assistindo desenho animado. Bebeu suco de maracujá, comeu biscoito recheado, bolo de cenoura, sorvete e chocolate até dizer chega. Fez castelo de areia na praia, acampou com os amigos, dormiu na casa dos avós. Fez festa de aniversário de boneca, princesa, fada.
Levou bronca do pai, da mãe, do irmão mais velho, da professora. Ficou de castigo por semanas e semanas, e quase sempre foi perdoado antes do prazo. Gastou todo o dinheiro da mesada com chiclete, e levou mais uma bronca por isso. Caiu de bicicleta, patins, skate. Ralou o joelho, quebrou o braço, tem quatro pontos debaixo do queixo. Brincou de pique-esconde, pique-pega, pique-tudo-que-se-possa-imaginar. Imaginou um mundo onde todas as pessoas eram felizes e tinham o poder de voar. Vestiu uma capa feita de lençol e tentou voar. Inventou um amigo imaginário, mudou o nome dele.
Quis mudar nosso próprio nome. Jogou video-game até cansar. Fez aula de karatê, natação, balé. Calçou o sapato da mãe, andou pela casa toda borrada de batom, querendo ser adulto por um dia.Mal sabíamos o que era, na verdade, crescer. Ter responsabilidades, horários, prazos. Pensar na vida, resolver problemas. Problemas muito mais complicados do que a matemática, que parecia ser o pior dilema do mundo, na quinta série. Me faz lembrar da história de Peter Pan, o menino que vivia na Terra do Nunca, e nunca crescia. Quem fosse com ele, seria criança para sempre, imagine só? Uma vida inteira só de chiclete, brinquedos, sonhos. Uma vida em que o único problema fosse o da matemática. Seria pedir demais, não é? Sim. Só crescendo vivemos coisas diferentes, conhecemos pessoas, erramos – muito, aprendemos – muito, vivemos. É o cliclo da vida, não se pode querer mudá-lo. É o que precisamos. Mesmo assim, posso apostar que qualquer um de nós, desde os que acabaram de sair da infância até os que quase não se lembram dela, gostaríamos de pedir, pelo menos por um dia: Peter Pan, ainda dá tempo de ir com você?"
(Maju, do blog Depois dos Quinze - http://www.depoisdosquinze.com)
Levou bronca do pai, da mãe, do irmão mais velho, da professora. Ficou de castigo por semanas e semanas, e quase sempre foi perdoado antes do prazo. Gastou todo o dinheiro da mesada com chiclete, e levou mais uma bronca por isso. Caiu de bicicleta, patins, skate. Ralou o joelho, quebrou o braço, tem quatro pontos debaixo do queixo. Brincou de pique-esconde, pique-pega, pique-tudo-que-se-possa-imaginar. Imaginou um mundo onde todas as pessoas eram felizes e tinham o poder de voar. Vestiu uma capa feita de lençol e tentou voar. Inventou um amigo imaginário, mudou o nome dele.
Quis mudar nosso próprio nome. Jogou video-game até cansar. Fez aula de karatê, natação, balé. Calçou o sapato da mãe, andou pela casa toda borrada de batom, querendo ser adulto por um dia.Mal sabíamos o que era, na verdade, crescer. Ter responsabilidades, horários, prazos. Pensar na vida, resolver problemas. Problemas muito mais complicados do que a matemática, que parecia ser o pior dilema do mundo, na quinta série. Me faz lembrar da história de Peter Pan, o menino que vivia na Terra do Nunca, e nunca crescia. Quem fosse com ele, seria criança para sempre, imagine só? Uma vida inteira só de chiclete, brinquedos, sonhos. Uma vida em que o único problema fosse o da matemática. Seria pedir demais, não é? Sim. Só crescendo vivemos coisas diferentes, conhecemos pessoas, erramos – muito, aprendemos – muito, vivemos. É o cliclo da vida, não se pode querer mudá-lo. É o que precisamos. Mesmo assim, posso apostar que qualquer um de nós, desde os que acabaram de sair da infância até os que quase não se lembram dela, gostaríamos de pedir, pelo menos por um dia: Peter Pan, ainda dá tempo de ir com você?"
(Maju, do blog Depois dos Quinze - http://www.depoisdosquinze.com)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
"Meu anjo de guarda noturno, você é quem sabe de tudo. E quando eu peço proteção, não é pra fugir do ladrão, nem pra me esconder na igreja. Eu quero que Deus nos proteja das dores do coração! Meu anjo de luz que ilumina, compositor da minha sina, não deixe que espinhos me ceguem, guarde meus caminhos que seguem os carinhos dessa menina. Meu anjo de luz guardião, condutor da minha emoção, ensine um atalho pra ela que evoque o anjo dela no toque sutil da canção..." (Anjo De Guarda Noturno - Bicho de Pé)
Livrai-me de tudo aquilo que for vazio de amor. Amém!
Livrai-me de tudo aquilo que for vazio de amor. Amém!
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Salvem Salvador!
"Alô, alô marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar, estamos em guerra
Você não imagina a loucura!"
Antes de mais nada, é válido esclarecer uma coisa: Não venho aqui com o intuito de defender ou apedrejar partido político algum; até porque não raciocino partidariamente, meu pensamento é "independente", digamos assim.
A situação de Salvador é deplorável há algum tempo, e vem se agravando. Enquanto o (des)prefeito da cidade está curtindo o Rio de Janeiro com a nova namorada, a Polícia Militar está em greve na terceira maior capital do país. Mas que tipo de greve é essa, à qual grande parte dos PM's aderiu? Que greve é essa, na qual se empunham armas, tocam terror, tomam ônibus, fecham ruas?! Cadê a manifestação por um melhor salário (que seria extremamente válida)?
"... se você pegar os jornais de 2001, que estão disponíveis na internet, verá que houve greve de fato, os PMs se aquartelaram, foram pros quarteis e se negaram a trabalhar por melhores condições salariais. O nome disso é greve. Hoje, ao invés de cada batalhão se negar a sair dos quarteis, eles ocuparam um lugar político, a assembleia legislativa, colocaram mulheres e crianças como escudo e, de arma e viaturas públicas em poder, saíram tocando terror na cidade, fazendo barricada e promovendo pânico. O nome disso é terrorismo. São situações diferentes.", disse brilhantemente o professor Bruno D'Almeida. Eu concordo.
Arrastões o tempo todo, uma mãe que morreu enquanto amamentava seu filho. É essa a greve por melhoria salarial? Não, não é. Salvador está submetida a um terrorismo-palhaçada. A população, amedrontada, se enclausura, evita sair de casa.
O "prefeito" (ainda me refiro a este dessa forma pelo único motivo de ele supostamente ocupar tal cargo. Supostamente.), covarde, fugiu da guerra. Se isentou de qualquer responsabilidade da situação.
E você, Wagner, cadê? Confesso que nunca esperei ver, de um petista, uma atitude à lá ACM: a Guarda Nacional foi convocada, tanques do exército chegaram à cidade. Não seria mais fácil tentar uma negociação? Mas o governador não quer descer de seu pedestal. Não quer e não vai. Há boatos de que a Assembléia Legislativa será invadida pelo exército. Pra quê? Mais discórdia será gerada se isso acontecer.
O gestor da cidade já não faz nada pela mesma, há muito tempo. E cadê a administração do Estado? A certeza de estarmos sós é cada vez maior. A insegurança nos assola. Os grevistas, se é que podemos chamá-los assim, amedrontam a população. Polícia se confunde com ladrão.
SALVEM SALVADOR!
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar, estamos em guerra
Você não imagina a loucura!"
Antes de mais nada, é válido esclarecer uma coisa: Não venho aqui com o intuito de defender ou apedrejar partido político algum; até porque não raciocino partidariamente, meu pensamento é "independente", digamos assim.
A situação de Salvador é deplorável há algum tempo, e vem se agravando. Enquanto o (des)prefeito da cidade está curtindo o Rio de Janeiro com a nova namorada, a Polícia Militar está em greve na terceira maior capital do país. Mas que tipo de greve é essa, à qual grande parte dos PM's aderiu? Que greve é essa, na qual se empunham armas, tocam terror, tomam ônibus, fecham ruas?! Cadê a manifestação por um melhor salário (que seria extremamente válida)?
"... se você pegar os jornais de 2001, que estão disponíveis na internet, verá que houve greve de fato, os PMs se aquartelaram, foram pros quarteis e se negaram a trabalhar por melhores condições salariais. O nome disso é greve. Hoje, ao invés de cada batalhão se negar a sair dos quarteis, eles ocuparam um lugar político, a assembleia legislativa, colocaram mulheres e crianças como escudo e, de arma e viaturas públicas em poder, saíram tocando terror na cidade, fazendo barricada e promovendo pânico. O nome disso é terrorismo. São situações diferentes.", disse brilhantemente o professor Bruno D'Almeida. Eu concordo.
Arrastões o tempo todo, uma mãe que morreu enquanto amamentava seu filho. É essa a greve por melhoria salarial? Não, não é. Salvador está submetida a um terrorismo-palhaçada. A população, amedrontada, se enclausura, evita sair de casa.
O "prefeito" (ainda me refiro a este dessa forma pelo único motivo de ele supostamente ocupar tal cargo. Supostamente.), covarde, fugiu da guerra. Se isentou de qualquer responsabilidade da situação.
E você, Wagner, cadê? Confesso que nunca esperei ver, de um petista, uma atitude à lá ACM: a Guarda Nacional foi convocada, tanques do exército chegaram à cidade. Não seria mais fácil tentar uma negociação? Mas o governador não quer descer de seu pedestal. Não quer e não vai. Há boatos de que a Assembléia Legislativa será invadida pelo exército. Pra quê? Mais discórdia será gerada se isso acontecer.
O gestor da cidade já não faz nada pela mesma, há muito tempo. E cadê a administração do Estado? A certeza de estarmos sós é cada vez maior. A insegurança nos assola. Os grevistas, se é que podemos chamá-los assim, amedrontam a população. Polícia se confunde com ladrão.
SALVEM SALVADOR!
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