E em meio a tanta cobrança, à pseudo-maturidade, percebo que sou uma criança de quatro anos. E uma criança de quatro anos, mesmo querendo muito, não pode abraçar o mundo. Uma criança de quatro anos deve aprender a amarrar os cadarços, primeiro. Mas eu quero andar descalça! Mãe, posso andar descalça? Mas mamãe, eu não tenho medo de resfriado! Só tenho medo do monstro que vem me assustar à noite. O monstro mora dentro de mim, mãe.
O monstro me disse que amar faz mal. Quando a gente tem quatro anos, não tem medo do amor... Mas eu sempre me doo demais, mamãe. De tanto me doar, dói. Não quero acreditar no monstro. O monstro é adulto... Eu tenho medo de adultos, mamãe. Mas não de você. Você me protege, né, mãe? Promete que vai me proteger do monstro? Não deixa ele me machucar... Não gosto de chorar. Mas eu quero amar! Dá pra amar sem chorar, mãe? Vai, me explica... Me explica, mãe, o mundo, o monstro, o medo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário