"Quando era mais jovem, eu odiava morar em Salvador. Achava provinciana até o osso, longe demais das capitais. Muita luz, muito sol, muita melodia. E eu era a típica adolescente deslocada disso que hoje chamam de baianidade. (...) E, pelos olhos daquele branco angolano, seu Avelino, foi se descortinando uma outra Salvador, que eu, nos meus rompantes juvenis, negava que existia e fazia questão de virar as costas. Ele se sentava no bar mais pé-sujo do Rio Vermelho e, qual um Verger de província, ficava analisando - e admirando - cheiros, cores, falares. E, por mais tempo que vivesse em Salvador, a cidade era sempre uma surpresa e uma descoberta para ele. Pouco a pouco, os olhos de estrangeiro dele abriram os meus. Aprendi a ser indulgente com esta cidade que transforma o lamento em batida, o sol em festa, a melodia em dinheiro e o dinheiro em oportunidade."
Ceci Alves, que abriu meus olhos.
Essa é a parte bonita, que gosto em Salvador. Mas aí vêm os problemas estruturais, que me fazem invocar Jorge Amado: "E achava que a alegria daquela liberdade era pouca para a desgraça daquela vida".
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