sábado, 29 de outubro de 2011
Cravo e Canela
"Seu Nacib vinha de noite. Ela esperando, dormia com ele, com os moços todos, bastava pensar, bastava querer. Lhe trazia presentes: coisas da feira, baratezas da loja do tio. Broches, pulseiras, anéis de vidro. Um pássaro lhe trouxe que ela soltou. Sapato apertado, gostava não... Andava em chinela, vestida de pobre, um laço de fita. Gostava de tudo: do quintal de goiaba, mamão e pitanga. De sol esquentar com seu gato matreiro. De conversar com Tuísca, de fazê-lo dançar, de dançar para ele. Do dente de ouro que seu Nacib mandou lhe botar. De cantar de manhã, a trabalhar na cozinha. De andar pela rua, de ir ao cinema com dona Arminda. De ir no circo quando, no Unhão, o circo se armava. Bom tempo era aquele. Quando ela não era a senhora Saad, era só Gabriela. Só Gabriela."
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